2017: O ano da Índia

Voltamos para casa depois desses 15 meses de viagem, apaixonados por tudo que vimos, em especial, pela Índia. Ficamos nesse momento de transição da viagem para a vida real e e sabemos que nossa antiga rotina de trabalhar em agência de publicidade não servia mais para gente.

Pois bem, depois de muito pensar no que fazer, decidimos nos aventurar pelo mundo do turismo e levar pequenos grupos para Índia.

Apresento a vocês, nosso novo filhote:

https://vemcomigoparaindia.com/

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No site explica direitinho o que fazemos, roteiros, valores.

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Viajo porque amo, volto porque preciso

Escrevo agora com o coração mais calmo, passado a semana de fortes emoções que foi a nossa volta que começou em Madrid até chegar no Brasil.

Ainda tou digerindo tudo que aconteceu nesse ano, nessa semana. A mochila vazia, a cabeça cheia.
Pra onde eu vou? O que eu vou fazer? O que eu quero fazer? Como eu vou voltar pra “vida real”? Eu não sei. E ainda não me culpo por não ter todas essas respostas. Eu sabia desde o início que essa hora ia chegar, mais cedo ou mais tarde.

Por hora, eu fico aqui, matando a saudade e tentando transformar 15 meses de viagem em palavras para contar o que eu vivi para meus familiares e amigos curiosos.

Enquanto minha mochila fica secando no varal, eu fico aqui criando um roteiro novo que eu nem sei quando vai sair do papel, grifando lugares que eu conheci e quero voltar, pensando na frase que deu nome a esse blog: a essa hora ano que vem, onde eu vou estar?

Lari.

Perder. Não no pior sentido da palavra. Mas perder-se das pessoas.

Desde o dia que saí da casa dos meus pais com 16, fui sempre mudando e também mudando de lugar, esse que a gente chama de endereço.
Você escolhe uma cidade, uma casa, começa a deixar ela com sua cara e enche de pessoas que combinam com você, e elas fazem um papel importante: decoram sua casa da forma mais bonita que o quadro da loja hipster que você escolheu cuidadosamente. O tim tim a meia noite, o convite especial pro jantar da receita nova no domingo ao meio dia, o drink de sexta pós expediente, o chorinho no ombro por que você perdeu o emprego, o deboche por que você bebeu todas na festa da noite passada. A convivência. A descoberta que vocês amam Kinks e odeiam Yes. Sua casa vira o seu clubinho. Você acolhe e é acolhida. Você vira a mãe e a filha de muitos amigos. E aí acontece que um dia você fecha a casa e vai embora, não tem mais a varanda repleta de drinks com gargalhadas, o que resta são as histórias, futuras conversas por skype e a promessa de amizade eterna.
O tempo passa e as pessoas se perdem. É inevitável. É normal? É normal. É o tal movimento. Puta merda, que saudade. A distância física deixa um vão muitas vezes grande demais para uma relação humana aceitar e algumas necessitam disso.
Tudo bem, thats life, sem chorumelas, percebi – agora que estou ainda mais longe – que me afastei de tantos mas espalhei uns bons irmãos e irmãs por aí, afinal, como uma boa filha única meu papel é esse mesmo.
Que coisa. Viajar é viver dividida. Todos os dias.

Lari.

Como foi viajar de Hanoi até Sapa numa motoca velha

Depois de ouvir os relatos do casal queridão que conhecemos na Índia, Felipe e Esther, sobre viajar de moto pelo Vietnam e assistir alguns vídeos no youtube sobre como dirigir uma moto manual, resolvemos comprar uma Honda Win 110cc em Hanói. Na real, não é uma Honda de verdade, é uma réplica chinesa que quebra o galho e é bem popular entre os backpackers com esse tipo de ideia. A maioria dos blogs não aconselha comprar uma dessas, dizendo que além de vagabunda, essa moto é frágil e perigosa, pois as estradas vietnamitas não são lugares pra principiantes. Praticamente só um blog que encontrei aconselha a aventura e até dá umas dicas básicas. Então fomos nessa.

Eu não tinha experiência nenhuma com motos, exceto scooters. Muito menos dirigir na estrada de um país onde as placas de trânsito são num idioma incompreensível pra gente. Também não tenho carteira de motorista internacional, mas mesmo que tivesse, ela não vale nada no Vietnam. E pra completar também não temos seguro, e igual, não valeria nada aqui em caso de acidente. A viagem seria contando com a sorte a a ajuda divina pra dar tudo certo.

O plano original era alugar uma moto e devolver na volta, reduzindo o stress, mas além do preço não ser convidativo, acabamos conhecendo por acaso o Ian, um mochileiro suíço que queria vender a moto dele. Fiz um test drive express: praticamente uma volta na quadra e foi o suficiente pra tomar a decisão. Pagamos os 200 dólares que ele pediu e fomos os três tomar uma cerveja. Daria pra pechinchar? Claro que sim, afinal o cara estava desesperado pra vender. Mas nessas horas vale o espírito solidário de não extorquir quem está na mesma situação que a gente, viajando de mochila com pouca grana.

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Fechando negócio

Na manhã seguinte, deixamos uma das mochilas no hotel e prendemos a outra com uns elásticos enjambrados no ‘bagageiro’ da moto. Coitada da Santinha (nome que batizamos), saiu rebolando toda, levando muito mais peso do que ela aguenta. A saída de Hanói foi bem tensa, entre buzinadas num trânsito bem louco e com a Lari dando risadas do meu nervosismo.

Pegamos uma rota de 3 dias até Sapa, indo pelas estradas secundárias e passando por vilarejos pequenos ao longo do caminho. O primeiro dia foi meio feioso, alguns trechos sendo recuperados e cheios de máquinas na pista. As cidades periféricas de Hanoi não são as coisas mais bonitas do mundo. Depois de 4 horas dirigindo, a embreagem começou a falhar e ficar cada vez mais difícil fazer as marchas, até que o cabo rompeu de vez e tivemos que parar numa oficina. Por sorte, oficinas são abundantes por aqui e mesmo sem falar inglês, o carinha entendeu o problema e resolveu pra gente, por 15 dólares. De lá, paramos pra jantar num lugar meio estranho, mas com pessoas muito queridas que nem nos cobraram pela comida. A menina que nos atendeu escreveu no google translator do telefone dela que foi um prazer ajudar a gente 😉

O segundo dia já foi bem mais bonito, começamos a cruzar os campos de arroz e as vilas menores, com tribos que vivem nas montanhas e falam dialetos próprios que nem os vietnamitas entendem. Pegamos um pouquinho de chuva, mas nada que pudesse atrapalhar a vista. O terceiro dia foi a prova de fogo pro motor da Santinha: começamos a subir as montanhas até Fansipan (o ponto mais alto do país, com 3143m). A paisagem nessa região é incrível, um vale cheio de campos de arroz nas encostas dos morros, formando tipo umas escadarias irrigadas, onde pipocavam camponeses com seus chapéus cônicos. Fizemos várias paradas pra fotografar e descansar as bundas, já que conforto não é o forte dessa motinho.

Sapa é bem bonitinha, rodeada por um vale povoado por muitas tribos que se vestem cheias de estilo. São Hmongs, Dzaos e outras que não sei o nome, que sobem até o centrinho para vender artesanatos nas feiras locais. A cidade recebe muitos turistas também, quase todos vietnamitas. Poucos restaurantes têm cardápios em inglês e até no hotel foi preciso fazer umas mímicas pra gente se entender e conseguir um quarto por um preço camarada.

Ficamos 3 dias lá e num deles conhecemos a Cho, uma mulher supersimpática da tribo dzao, que falava bem inglês e nos levou prum trekking até o vilarejo que ela vive. Conhecemos a casa dela, comemos milho e ouvimos várias histórias que guia nenhum poderia nos contar. E no final, ela nos colocou na garupa duns moto-taxi de volta pra cidade. Entre pagar pruma agência de turismo ou ajudar uma família local, nem foi preciso pensar duas vezes.

A volta de Sapa até Hanoi fizemos em um só dia, graças a uma pequena trapalhada: pegamos a highway. No começo foi bem estranho, porque só tinha a gente na estrada, nenhum carro, caminhão, moto, nada. Depois de um tempo, começamos a ver alguns carros, mas nenhuma moto. Depois de horas dirigindo, um policial nos parou com cara de ‘o que diabos vocês estão fazendo aqui?’ Aí descobrimos que motos não são permitidas nessa estrada, e só não fomos multados por que quando dissemos que somos brasileiros, o guarda começou a gritar ‘Neymar! Ronaldo!’ e nos mandou pegar uma rota secundária. Achei que teria que pagar algum suborno, mas nem precisou, fomos salvos pelo futebol brasileiro.

A entrada em Hanoi foi até mais tensa do que no primeiro dia. Definitivamente, dirigir em cidade grande, onde parece que tem mais motoqueiros que pedestres, é uma grande furada. A experiência e o passeio foram superlegais, mas o desconforto e a lentidão da moto prejudicariam muito nosso roteiro no país.

Dez dias depois da compra resolvemos vender a Santinha. Fizemos uns panfletinhos pra distribuir pelo Old Quarter e no dia seguinte ficamos parados numa esquina com um cartaz pendurado nela. Em menos de duas horas, vendemos a bichinha prum casal de dinamarqueses que, assim como a gente, comprou no impulso depois de dar uma volta na quadra. Não pegamos os contatos deles, mas torcemos pra que tenham uma experiência tão massa quanto foi a nossa.

Junico

Vietnam, lá vamos nós

Saindo de Phonsavan, resolvemos cruzar uma das bordas terrestres menos aconselhadas em todos os guias e blogs de viagem: a fronteira entre Na Meo (no Laos) e Nam Xai (no Vietnam). São famosas as histórias de viajantes que são abandonados no meio do nada pelos motoristas de ônibus e depois loucamente extorquidos por taxistas. Trip Advisor tá cheio de relatos de gente que teve que pagar os tubos pra não ter que dormir no meio do nada. Como não havia ônibus direto de Phonsavan até Hanói, tivemos que viajar até Sam Neua, capita da província de Houaphan, uma das partes menos visitadas por turistas no país e arriscar essa travessia. Era isso ou voltar muitos quilômetros até a mais próxima fronteira no sul.

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A paisagem da estrada é superbonita, passando por extensos campos de arroz e montanhas rochosas que parecem brotar do nada. Vários vilarejos e tribos pipocando pelo caminho. O lado ruim é que fomos de van, por 14 horas, espremidos em bancos apertados. Na verdade, o pessoal que vive aqui é bem pequenino, raramente maiores que 1.60m de altura. Pra eles, tem espaço de sobra pra pernas nessas vans. Pra gente, nem tanto.

Pra me ocupar durante tantas horas de viagem e não enjoar nas curvas, desenvolvi um passatempo: fotografar as vilas, casas, pessoas e bichos pela janela da van em movimento. Acho que 90% das fotos saíram tão tremidas ou desfocadas que foram direto pra lixeira, mas de algumas o resultado ficou até legal.

Cruzar a fronteira foi bem tranquilo. O visto, que precisou de 4 dias em Vientiane pra ficar pronto, estava na mão e o processo foi rápido. Abriram as mochilas também, mas não futricaram muito. Os guardinhas eram uns queridões que não falavam inglês e gritaram “Neymar, Ronaldo!” quando viram nossos passaportes. Um clássico já.

No fim, a van nos largou em Thang Hoa e de lá, depois de uma bateção de cabeça e duns taxistas cretinos que nos indicaram o lugar errado, conseguimos outro ônibus até Hanói.

Foi um dia monstruosamente longo e arrastado, nos deslocando o tempo inteiro, mas deu tudo certo. Não fomos abandonados na estrada e ninguém tentou extorquir nosso rico e escasso dinheirinho.

Fiquei aqui pensando

Não gosto muito de ficar comparando os lugares que a gente já foi, mas um dia desses me peguei fazendo isso e lembrando a loucura que é a Índia e me deu uma saudade. Ainda mais por agora estar aqui no Sul da Ásia e os países serem um pouco semelhantes nos costumes, na comida, a Índia, que nem é tão longe daqui, consegue ser bizarra e incrivelmente um outro mundo que parece muito longe daqui. Acho que minha parte favorita é que quando a gente chegava numa cidade, não precisava muito se programar: “vamos no museu tal?, vamos no lugar x?”. Sair na rua é já garantir um ticket de entrada para um lugar desconhecido. É só caminhar ou ficar parado observando que certamente será uma experiência interessante. Aquele cheiro de cocô de vaca misturado com tempero do bazar, a música, a buzina, a gritaria, o chai, os sarees coloridos, o tuc tuc atravessando e quase esmagando o meu pé, a pobreza, a sujeira, o sorriso, os cachorros de rua, a fé. Tudo junto isso junto tinha tudo para ser um desastre, mas não é.

Fiquei pensando que a melhor coisa foi ter escolhido como ponto de partida da Ásia. A Índia, como eu gosto de dizer, foi uma escola pra mim. Aprendi a pechinchar como ninguém e hoje já me sinto PhD no negócio. Aprendi a tentar julgar menos os costumes, o que muitas vezes parece bizarro e que na verdade para eles é super normal. A aceitar os olhares curiosos e, muitas vezes, bem estranhos. Me fez sentir uma idiota por perceber o quanto eu gastava de dinheiro em São Paulo (certamente a Índia é um dos lugares mais baratos para viajar). Foi ridiculamente barato e tão enriquecedor. Me fez sentir bem com o fato de ficar 4 meses lá e sair e continuar não entendendo muito aquele lugar. Parece exagero, mas é a mais pura verdade. Quando cheguei, queria entender o porquê de tudo, e na verdade as coisas nunca vão fazer sentido para nós, ocidentais. O ponto chave de tudo é estar aberto para isso. E acho que o mais importante de tudo, fez eu me questionar e enxergar de outra maneira: Como eu escolhi um lugar que a buzina dura quase 24 horas por dia?  O que eu tou fazendo aqui? O que eu vim buscar aqui? Por que sonhei tanto conhecer esse lugar?

Não sei. Mas acho que deixei um pouco de mim no meio daquelas estradas terríveis rumo ao norte enquanto ouvia isso aqui.

Das coisas que não nos contaram na escola, mas aprendemos viajando

Dá pra imaginar o que aconteceria se fossem despejados sobre os Estados Unidos 2 milhões de toneladas de bombas, todos os dias durante 9 anos? Será que chamariam isso de ataque(s) terrorista(s)? Pois foi essa a herança americana sobre o Laos, um dos países mais pobres do sudeste asiático e o mais bombardeado no mundo (cálculo per capta), na infame Guerra Secreta. Isso é mais que a soma da quantidade de bombas jogadas pelos Nazistas e pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Mas a parte triste não termina aí: estima-se que 30% dessas bombas lançadas falharam na hora de detonar e continuam ativas até hoje, enterradas nos campos de arroz, em parques arqueológicos, vilarejos e escolas. As bombas são chamadas pelos locais de bombies (o termo técnico é UXO, sigla para Unexploded Ordnance, ou bomba não-detonada), que já se acostumaram a viver com o medo e a eventual fatalidade. Um dado triste: 47% das fatalidades acontecem com crianças. Para eles é uma realidade triste mas normal. Para os visitantes, caminhar fora das trilhas ‘limpas’, é uma estupidez sem tamanho.

Entre 1964 e 1973 os Estados Unidos gastaram o equivalente a 2.2 milhões de dólares por dia em explosivos. Repetindo: dois-milhões-e-duzentos-mil-dólares-por-dia entupindo um país declarado NEUTRO na guerra. Quem saiu perdendo com isso? 22 mil crianças e camponeses que morreram ou ficaram cegos ou amputados por pisar, capinar, brincar, cozinhar ou escavar onde havia um UXO sob a terra, depois que o conflito acabou. Isso mesmo, depois do cessar fogo e do fim da guerra.

Exótica decoração de uma agência de viagens de Phonsavan

Exótica decoração de uma agência de viagens de Phonsavan

Pra piorar, como são vilarejos muito pobres, ainda surgiu um mercado negro paralelo que revende os metais das bombas encontradas. Para muitas comunidades agrícolas, impedidas de trabalhar na lavoura, encontrar e revender esses metais virou um meio de subsistência. Uma bombie, do tamanho de uma bola de tênis e que se detonar pode destruir uma casa inteira, custa 20 centavos de dólar nesse mercado negro. Os restos das bombas já detonadas são usados para fazer pulseiras, colheres e panelas, além de serem utilizados na decoração de casas, lojas e hotéis. Vimos vários exemplos em Phonsavan e foi difícil acreditar na bizarrice que isso significa. Algumas construções chegaram a incorporar pedaços dessas bombas na própria estrutura da casa.

Mas como esse é um blog feliz, apesar de tamanha atrocidade, vale falar que vários grupos internacionais se dedicam ao trabalho de erradicar os campos do Laos desses UXOs. Um deles se chama COPE (Cooperative Orthotic and Prosthetic Enterprise), que mantém em Vientiane um centro de informações e uma fábrica de próteses para as vítimas deste tipo de acidente. Também existem o UXOLao o MAG (Mines Advisory Group), principal órgão internacional de ajuda nesse campo, limpando extensas áreas e trazendo novas oportunidades para os aldeões. É um trabalho de formiguinha, que vai levar muitas e muitas gerações para ser concluído, se é que algum dia vai ser possível erradicar tantas e tantas bombas enterradas pelo país. Os caras que fazem esse trabalho são heróis, dá vontade de abraçar todos. O desafio principal deles é encontrar as bombas antes que alguma criança ou revendedor de metais tente remover elas de onde estão.

Agora imagine o que daria pra fazer se, por 9 anos seguidos, fossem despejados 2.2 milhões de dólares por dia em recursos para saúde e educação num canto tão pobre e remoto do mundo? Abaixo, desenhos de uma criança que convive com isso (cenas do trsiet documentário Bomb Harvest) no dia a dia.

E pra quem se interessar pelo assunto, vai no youtube e digita “Bombies Laos”. Tem dezenas de filmes curtinhos sobre os UXOs e suas vítimas.

Junico

Phonsavan e seus jarros muito loucos

Saindo de Vientiane, poderíamos seguir pro Vietnam pelo caminho mais curto, rápido e econômico, mas eu entrei numas de visitar a planícies com os misteriosos jarros de pedra, perto de Phonsavan. Pobre da Lari, que topou a indiada de horas e horas numa van desconfortável pacas pra ver um monte de pedras.

A cidade não tem nada de muito especial, mas deu pra dar umas bandas de bike pelos arredores e ver como é a vida num lugar que ainda tem pouco contato com estrangeiros. Conseguimos um hotel bem bom por 12 dólares, com café da manhã incluso, superluxo pra gente.

Phonsavan é mais conhecida (e visitada) por ser o ponto de partida para a tal Plain of Jars. Na verdade, esses vasos têm um significado importante pra mim: foi através deles que fiquei sabendo, alguns bons anos atrás, assistindo um documentário na casa dos meus pais, que existia um país chamado Laos. A segunda vez que ouvi falar no Laos, foi quando o Gabriel Britto visitou o país. Fiquei fascinado com a história desses vasos enormes que não foram modelados e sim escavados em pedras gigantes (foram escavados cada um em uma pedra inteira, sem emendas) e transportados por muitos quilômetros até uma extensa planície no nordeste do país. Não poderia passar pelo Laos sem dar um pulo nesse lugar e ver de perto como são. Bom que a Lari topou 🙂 Existem muitas lendas e especulações sobre a função deles, mas ninguém até hoje conseguiu provar pra que de fato eles serviram. Existe até uma lenda que conta que foram criados por um povo de gigantes séculos atrás. Há quem diga que foram urnas funerárias, que foram usados para coletar água das chuvas ou que serviam para fermentar arroz e fazer uma bebida alcoólica tipo sakê, bem popular até os dias de hoje por essas bandas. Tudo especulação, a função deles permanece um mistério. Sabe-se que foram produzidos entre os anos 500 aC e 500 dC, e que sobreviveram a muitas mudanças climáticas e a muitos bombardeios durante a guerra do Vietnã. Hoje eles fazem parte da paisagem nas montanhas, alguns com tampas, outros rachados, outros caídos. Muito louco.

Quase nenhuma sinalização de como chegar neles, então é preciso de um guia ou um GPS que funcione. Ah, e essa foi uma das zonas ‘limpas’ de UXOs, então nem pensar em sair das trilhas definidas, sob o risco de pisar numa bomba dorminhoca. Vou falar mais sobre isso no próximo post.

This is not the price

Acho que essa é a frase que eu mais disse desde fevereiro, quando chegamos na Índia, até agora.

Quando a gente viaja de férias, por um curto período, é normal ser enganado na hora de pagar e a gente até acaba aceitando um pouco para ajudar os locais, agora no meu caso, viajando por tanto tempo, não admito mais pagar preço de turista e ser enganada o tempo todo. Já virou piada entre os amigos que fizemos, mas é a mais pura verdade. Agora eu já sei quanto eu devo pagar para ser um preço justo pra mim e justo pra quem está me vendendo, mas as vezes cansa.

Hoje me sinto um PhD em Pechincha porque sempre, eu disse s e m p r e, tenho que chorar desconto. Seja nas frutas, roupas, hotéis, comida. Tudo. Tem dias que enche o saco.  Tem vezes que são 10 minutos de conversa pra diminuir 1, 2 dólares, mas ok, no final do mês faz uma baita diferença e no fim eu sempre consigo chegar no preço que eu quero e se eu não consigo, não compro. Poxa, eu só quero pagar o preço dos locais, é pedir muito?

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Lari